terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Carta à Igreja de Esmirna


                    
   Esmirna ficava numa cidade portuária com aproximadamente 200 mil habitantes. Hoje se chama Izmir, uns 65 km ao norte de Éfeso; uma das cidades mais antigas do mundo.
   Esmirna era muito conhecida por sua comunidade acadêmica e pelos seus templos.  Seu nome tinha um grande significado “mirra” um perfume aromatizado que era também usado para embalsamamento.

   Uma cidade que representaria, à igreja dos pais apostólicos do segundo e terceiro 
séculos, como também conhecida por ser perseguida, porém vitoriosa.

   Quanto à igreja de Esmirna, ela foi administrada por um pastor chamado Policarpo, que fora discípulo de João, o discípulo amado, o mesmo que escreveu o Evangelho e o livro do Apocalipse, que estudamos.

   A igreja de Esmirna parece ser pobre, mas Jesus a considera rica a seus olhos e diz: “Conheço a tua tribulação, a tua pobreza, mas, de fato, são ricos. Sei que aqueles que afirmam que são judeus, mas não são, falam mal de vocês. Eles são um grupo que pertence a Satanás”. (Apocalipse 2.9).

   E um pouco antes, Jesus, se apresenta como já havia experimentado o sofrimento e outrora vencido. E mostra nessa carta, “Estas coisas diz primeiro e o último, o que esteve morto e tornou a viver”. (Apocalipse 2.8). O surgimento após a sua morte, ressuscitando, como o dono da vida.

   Perceba que sua apresentação nessa carta para à igreja de Esmirna, ser parecida, à que proferiu as irmãs de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra viverá”. (João 11.25).


   A História nos mostra que Trajano (98 – 117 d.C.); perseguia os cristãos e mandava tortura-los e executá-los. Mas, não ordenava que esses cristãos fossem procurados. Já Marco Aurélio (161 – 180 d. C.), era um grande opositor dos ensinos cristãos e colocava à culpa das tragédias naturais neles. Enquanto Septimo Severo (202-211 d. C.); proibia a conversão ao cristianismo; e Décio (294-251 d. C.), tentava a todo custo, obrigar os cristãos a queimar incenso ao imperador, e buscava o retorno do paganismo. Em contrapartida, Valeriano (257-260 d. C.), Confiscava as propriedades dos cristãos e não admitia que eles se reunissem para adoração e louvor. Enquanto Diocleciano Galério (303-311 d. C.); era o mais horrendo perseguidor dos cristãos. Tanto que, destruía os templos, os livros queimando-os, e não atentava há nenhum direito civil dos cristãos; como também exigia o culto ao paganismo ser obrigatório.
    Muitas eram as dificuldades da igreja naquela época. Além da perseguição estadual, ainda havia às heresias, do judaísmo e do paganismo. Talvez por isso dito: “Sinagoga de Satanás” à qual Jesus se referiu.  

    Justino Mártir (100-165 d. C.), junto com outros cristãos da época, que morreu decapitado em Roma, foram eles que levaram a mensagem em defesa da fé, com uma ‘apologética cristã’ ensinada por Jesus e os Apóstolos. Eusébio disse: “Vimos com os nossos próprios olhos as casas de oração ser totalmente destruídas e as sagradas e divinas Escrituras serem condenadas às chamas. Observamos enormes multidões sendo decapitados ou torturados pelo fogo; as espadas assassinas chegaram a perder o fio, enfraquecendo e quebrando-se; os próprios verdugos se cansavam e tinham que ser substituídos por outros”.


    A igreja estava sobre fortes ataques, por muitos adversários. E diante parecer fraca e pobre; na verdade, era poderosa e rica. (Apocalipse 2.9). Rica no cuidado das Escrituras Sagradas, como nos testemunhos verdadeiros dos seus discípulos; que se tornaram mártires.

   Deus permitia-lhes à provação, porém dava-lhes forças para vencerem tais sofrimentos. “Não temas as cousas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias”. (Apocalipse 2.10). Jesus estava alertando-os que não deveriam temer; pois, sua igreja iria vencer essa tribulação, que era somente passageira.


   Policarpo ficou muito conhecido pela sua oração humilde e testemunho, que transcrevo aqui: “Senhor, Deus Onipotente, Pai de Jesus Cristo, teu Filho predileto e abençoado, por cujo ministério te conhecemos; Deus dos anjos e dos poderes; Deus da criação universal e de toda a família dos justos que vivem em tua presença; eu te louvo porque me julgaste digno deste dia e desta hora; digno de ser contado entre teus mártires, e de compartilhar do cálice de teu Cristo, para ressuscitar à vida eterna da alma e do corpo na incorruptibilidade do Espírito Santo. Possa eu hoje ser recebido na tua presença como uma oblação preciosa e aceitável, preparada e formada por Ti. Tu és fiel às Tuas promessas. Deus fiel e verdadeiro. Por esta graça e por todas as coisas eu te louvo, bendigo e glorifico, em nome de Jesus Cristo, eterno e sumo sacerdote, teu Filho amado. Por Ele, que está contigo, e o Espírito Santo, glória te seja agora e nos séculos vindouros. Amém! (Bettenson, H. – Documentos da Igreja Cristã – ASTE – Sociedade Religiosa Edições Simpósio – págs. 37 a 43).


     No final de tudo, uma garantia de vitória e recompensa para aqueles que são “homens dos quais o mundo não eram dignos”. Homens que estão relatados como, “homens de fé” (Hebreus 11.36-40); onde poderão ter à certeza do Senhor: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. (Apocalipse 2.10). E terá à garantia de suas lutas: “O vencedor, de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte”. (Apocalipse 2.11). Uma promessa aos mártires.




    Conclusão: Como “mirra” exala o cheiro suave, e seu perfume se manifesta em todos os lugares, por ser forte e concentrado, assim deve ser o cristão! Exalando o aroma do cheiro do Senhor, que os qualificam para o Seu exército.