segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

JESUS CRISTO NA HISTÓRIA E NOS ESCRITOS PROFÉTICOS PARTE 1

     Amigos!
     Estudaremos agora Jesus Cristo emoldurado no quadro real da História.
     Estava predita a Pessoa do Messias.
     E Este se apresenta ao mundo.
     Pleno de luz e de verdade. - A Verdade e a Luz.
     Quisera, amigos, que tivéssemos agora os olhos da alma bem abertos e que as trevas ou nuvens de paixões não obumbrassem a refulgente claridade em que se envolve a pessoa histórica de Jesus Cristo.
     Abri vossos olhos, dissipai as trevas de perturbadoras afetividades; somente isso é suficiente. A Verdade, a Luz, vos iluminará.


                                                                  * * *


     Surge Jesus Cristo em pleno quadro da História.
     Nascido no tempo de Augusto, morto no de Tibério, viveu Jesus Cristo na mesma época histórica que Filon, o judeu, que Tito Lívio, que Sêneca, que Virgílio.
     Sua vida pública desenrolou-se inteiramente entre essas figuras históricas.
     "No ano décimo-quinto do império de Tibério César, governando Pôncio Pilatos a Judeia, sendo Herodes tetrarca da Galileia... ao tempo dos sumo-sacerdotes Anás e Caifás..." faz Jesus Cristo sua primeira aparição pública.
     Não se trata de Jesus Cristo, a figura lendária, vaga, que se oculta entre as sombras dos tempos pré-históricos e vive em lugares desconhecidos e fantásticos.
     Eis, amigos, a realidade histórica, concreta, em tempo, em lugar, em obras.
     A figura de Jesus é viva, tangível, realíssima. Tão real e tão viva que um recente apóstata da Fé não teve outra alternativa senão escrever: "Jesus vivo trata com os vivos; o mundo que vê agitar-se em redor é um mundo real; as figuras que aí se desenham, tem o relevo da existência e dos caracteres individuais; a vida invade tudo e, com a vida, a verdade da representação histórica".( A. Loisy, Le Quatrième Evangile, Paris, 1903, pág. 72).
     Podemos, pois, abordar o estudo de Sua Pessoa com a mesma crítica e rigorosidade histórica com que se pode estudar qualquer problema histórico de qualquer outra disciplina.





                          AS FONTES HISTÓRICAS PARA O ESTUDO DE JESUS CRISTO


     Quais as fontes críticas em que podemos estudar esse personagem vivo, histórico?
     Amigos, um pouco de psicologia.
     Seria lógico. Conceder valor histórico às fontes sobre a Pessoa de Jesus Cristo não convinha, de modo algum, aos que se recusavam aceitar as conclusões que delas defluíam.
     Seria muito lógico. Se se concedesse valor histórico aos Evangelhos, não se podia deixar de aceitar seu conteúdo como, de resto, de qualquer documento histórico, e tal conteúdo não era de grata aceitação.
     Seria muito lógico. Relegavam-se os Evangelhos para épocas muito posteriores aquelas em que se diziam escritos e já não haveria mais ninguém molestado por seu conteúdo.
     Seria muito lógico. Dava-se-lhes uma data de composição posterior a 150 d.C. De nossa era. Assim se resolveriam todas as dificuldades. Nem seus autores são os que encabeçam o título dos Evangelhos, nem seu conteúdo é o da evolução de um ideal profundamente desejado pelos cristãos. Os Evangelhos não eram relatos históricos. Eram escritos posteriores em mais de um século dos fatos que narram; fatos que, longe de serem realidades, eram afetividade do coração do povo crente.
     Tudo isto seria muito lógico, amigos, mas não seria cientifico.
     Seria muito lógico, dadas as grandes cargas afetivas de que provinham. Isto sim, partia da afetividade, não da razão, não do estudo sereno e imparcial.


                                                                               


                                                                               * * *


     E com febril atividade, com que ardor empreendeu-se o estudo crítico-histórico dos Evangelhos! Como foram analisados e esmiuçados nestes últimos cinquenta anos passados - com todo esse rigor e escrúpulo, que são próprios da Ciência - através de todos esses métodos usados na elucidação da autenticidade histórica dum documento!
     E esses estudos procedidos por racionalistas, com a finalidade de apaziguar suas cargas afetivas, obrigou um grande expoente do racionalismo alemão a indagar, diante dos resultados: " Trabalhamos cinquenta anos febrilmente para extrair pedras da cantaria que sirvam de pedestal à Igreja?"
     Porque, amigos, eis o resultado a que atingiram sérios trabalhos, crítica da mais exata investigação:
     Pelo método das citações descobriram-se citações dos Evangelhos em escritos autênticos anteriores a 150 d.C., anteriores ao ano 100 d.C., da nossa era... citações ipsis-litteris (a carta) dos quatro Livros Sagrados. No fragmento do manuscrito chamado Muratoriano (O Cânone Muratori, também conhecido por fragmento muratoriano ou fragmento de Muratori, é uma cópia da lista mais antiga que se conhece dos livros do Novo Testamento. Foi descoberta na Biblioteca Ambrosiana de Milão por Ludovico Antonio Muratori (1672  1750) e publicada em 1740. Na lista figuram os nomes dos livros que o autor desconhecido da lista considerava admissíveis, com alguns comentários. A lista está escrita em latim e encontra-se incompleta, daí ser chamada de fragmento)., estudado por Wieseler e Herz, entre outros, é dado como certeza que ja´em 142 d.C. sob Pio I, existia o catálogo dos livros canônicos, dentre os quais figuravam os Evangelhos.
     E o manuscrito Códice Sinaiticus (Codex Sinaiticus, também conhecido como Manuscrito 'Aleph' (primeiro algarismo do alfabeto hebraico), é um dos mais importantes manuscritos gregos já descobertos, pois além de ser um dos mais antigos (século IV), e o único codex que contém o Novo Testamento inteiro. Atualmente acha-se no Museu Britânico (Additional 43725; Fonte: Kurt Aland, Barbara Aland, The Text of the New Testament: An Introduction to the Critical Editions and to the Theory and Practice of Modern Textual Criticism, transl. Erroll F. Rhodes, William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan, 1995, p. 107; Wikipédia); não é mais que cópia do texto grego dos Evangelhos, usado pela Igreja antes de findar o Século I.
     A lógica, impulsionada pelas cargas afetivas, anelava que os Evangelhos houvessem sidos escritos após o 150 d.C; mas a crítica, cientificamente serena, os encontra copiados em citações antes do ano 100 d.C....
     Pelo métdo das traduções...
    


      Naturalmente, operário que ler esse artigo, se alguém traduz um livro, tal livro traduzido é anterior à tradução. 
     Possuímos traduções. A  Vetus Itálica:


A página do Vercellensis Codex , um exemplo da Vetus Latina . Esta seção contém o Evangelho de João , 16:23-30.
( Vetus Latina é um nome coletivo dado aos bíblicos textos em latim que foram traduzidos antes de São Jerônimo da Vulgata Bíblia (382-405 AD) tornou-se a Bíblia padrão para a América de língua cristãos ocidentais . A frase Vetus Latina é Latin para Velha Latina e da Vetus Latina é por vezes conhecido como o Velho Bíblia Latina .Foi, no entanto, escrito em latim tardio , não a versão inicial da língua latina conhecida como Velha Latina . É por vezes também conhecido como a Itala (como no fragmento Itala Quedlinburg ); que é a versão latina dos Evangelhos, e a Perschito:

A Peshitta

O nome “Peshitta” é conhecido como derivado do siríaco mappaqtâ pshîṭtâ (ܡܦܩܬܐ ܦܫܝܛܬܐ), significando literalmente “a versão simples”. Entretanto, é também possível traduzir o nome pshîṭtâ como “terra comum” (isto é, para todos os povos), ou “correto”, traduzido usualmente como “simples”. Siríaco (Sy) é um dialeto, ou grupo de dialetos, do Aramaico oriental. Escreve-se no alfabeto siríaco, e é transliterado para o alfabeto latino de diferentes maneiras: Peshitta, Peshittâ, Pshitta, Pšittâ, Pshitto, Fshitto.
Todas estas são aceitáveis, mas os termos “Peshitta” ou Peshito são as traduções mais convenientes em português. Fontes: Wikipédia; que constitui a sua versão síria, foram elaboradas anteriormente a 150 d.C; a primeira, e a segunda em fins do Século I. 
     Logo, se algumas das versões são do Século I, os Evangelhos - em que pese serem apontados, pela lógica afetiva, como posteriores a 150 d.C; - são certamente anteriores ao Século II.
     Pelo método polêmico, teremos, amigos, que já no Século II redigiram-se libelos("O termo libelo é utilizado no direito eclesiástico para definir a peça inicial de um processo. É o chamado libelo introdutório, onde o autor do pedido de abertura do processo conta a história que motiva o seu pedido.") contra pessoas, nos quais se os arguia recorrendo aos Evangelhos, o que não deixa de ser uma suposição de sua existência.
     Supõe, além disse, uma vez que se argumentavam com o que as próprias pessoas concediam, que já nessa época, elas, as pessoas, admitiam a autenticidade dos Evangelhos. Pois que se assim não fosse, bastaria que as referidas pessoas redarguissem que os ensinamentos dos Evangelhos não lhes diziam respeito.

      "A Peshitta, levemente revisada e com os livros faltantes adicionados, é a Bíblia padrão em siríaco para as igrejas na tradição litúrgica siríaca: a Igreja Ortodoxa Síria, a Igreja Católica Siro-Malankara, a Igreja Católica Siríaca, a Igreja Assíria do Oriente, a Igreja Ortodoxa Indiana, a Igreja Mar Thoma, a Igreja Católica Caldeia e a Igreja Maronita.
Na Cristandade Siríaca a língua árabe está se tornando mais comum, se não para leituras litúrgicas, para sermões e o estudo pessoal da Bíblia entre cristãos siríacos do Oriente Médio. Quase todos os acadêmicos da Síria, concordam que os evangelhos da Peshitta são traduções dos originais gregos. Em 1901, P.E. Pusey e G.H. Gwilliam publicaram um texto crítico da Peshitta com uma tradução Latina. Então, em 1905, a Sociedade Britânica e Estrangeira da Bíblia produziu uma versão livre, não critica dos evangelhos da Peshitta. Em 1920, esta versão foi expandida ao Novo Testamento completo. Em 1961, o instituto de Peshitta de Leiden publicou uma edição crítica mais detalhada da Peshitta com uma série dos fascículos . Em 1933 uma tradução da Peshitta no inglês, editada por George M. Lamsa, tornou-se conhecida como a Bíblia de Lamsa.
Em 1996, surgiu a primeira edição, da edição comparativa de George Anton Kiraz dos evangelhos em Siríaco: Alinhando as antigas versões Siríacas Sinaíticas, de Curetonianus, de Peshitta e de Harklean (abbr. CESG; o texto de Harklean foi preparado por Andréas Juckel) foi publicado por Brill. As segundas (2002) e terceiras (2004) edições subseqüentes foram impressas pelo LLC de Gorgias Pressionar.
Muitos manuscritos da Peshito, ainda podem ser encontrados, o mais valioso deles sendo um códice século VI ou VII, na Biblioteca Ambrosiana em MilãoItália. Um manuscrito do Pentateuco da Peshito, possui data de 464 d.C., o que o torna o mais antigo manuscrito bíblico datado em qualquer idioma." 
   


      A lógica afetiva supôs os Evangelhos escritos quando convinha a seus desejos.
     Mas a ciência séria, com multiplicidade de argumentos de valor estritamente crítico, conclui pela genuinidade dos Evangelhos, escritos no Século I pelos autores que neles figuram.
     O próprio Renan viu-se compelido a confessar : "Em suma, admito como autênticos os quatro Evangelhos canônicos." vie de Jésus, pág. 23. Ele admitiu pois estudou-os, não que houvesse dito diretamente como coloquei as palavras entre aspas no livro; pois o livro não diz, assim tão claro, porém deduz-se  dizer.
     Aliás, toda a crítica racionalista de valor, com Harnarck à frente, não pôde conceder menos, confundida pela Ciência: "O caráter absolutamente único dos Evangelhos é, hoje em dia, universalmente reconhecido pela critica". 
     E para aqueles que duvidam da autenticidade do que eu escrevi veja o que ele disse: "Que a terra em seu curso ficou parado; que uma jumenta falou; que uma tempestade se acalmou por uma palavra, nós não acreditar, e nós nunca mais acreditar, mas para que o coxo andou, a serra cegos, os surdos ouviram não será tão sumariamente descartado como uma ilusão ". (que é o cristianismo? Palestras ministradas na Universidade de Berlim, durante o Inverno 1899-1900 Term. | Christian Classics Ethereal Biblioteca
      Tão certo é em ciência o valor histórico dos Evangelhos, que Streeter, o grande crítico inglês, afirma, em seus estudos de literatura clássica, que aqueles Livros são os que, falando de modo crítico, detém a mais privilegiada posição que existe.
   
     E o mais seguro dos críticos de textos do Século XIX, Hort, resume suas investigações de vinte e oito anos, resume Hort seus estudos de vinte e oito anos, repito, e os de seus colega Wescott, com estas frases textuais: "As sete oitavas partes do conteúdo verbal do Novo Testamento  não admitem dúvida alguma. A última parte consiste, preliminarmente, em modificações na ordem das palavras ou em variantes sem significação. De fato, as variantes que atingem à substância do texto são tão poucas, que podem ser avaliadas em menos na milésima  parte do texto".
     Amigos! É de admirar que, entre a quantidade inumerável de códices, versões e cópias dos Evangelhos, em todo o orbe, ainda mesmo quanto á materialidade das palavras, não seja objeto de dúvida a concordância de sete oitavas partes do texto e que a parte restante constitua apenas variantes da ordem dessas mesmas palavras. Admira, amigos, que através de tantos copistas e em tão variadas línguas, as variantes entre códices e versões do mundo todo não atinjam a mais do que a milésima parte do texto evangélico.
     Quem poderia exigir tanta precisão e exatidão histórica nas fontes para o estudo de Jesus Cristo?
     Convém refletir e perceber, amigos, sobre a circunstância de não serem de hoje as traduções ou cópias dos Evangelhos. São elas da época dos papiros quando, então, os amanuenses que as redigiam, enviavam os Evangelhos para a Síria, para a Grécia, para a Palestina, para a África.... Fácil é avaliar o valor dessa prova, reflexionando para perceber como homens de hoje que dispõem de máquinas de imprimir que produzem um sem número de cópias exatamente iguais.
     Autênticos e genuínos, foram os Evangelhos escritos pela geração em que se desenrolaram os fatos que narram, geração essa que teria podido, ao lê-los, recusar seu conteúdo como inexato, mas nunca o fez.
     Transparentes e simples, sem ocultar fraquezas e erros dos Apóstolos, nem humilhações e ignomínias de Jesus Cristo, assim são os Evangelhos. Redigidos por testemunhas oculares, como Mateus e João, como Marcos, amanuense de Pedro, como Lucas, o fidelíssimo investigador e crítico relator do que narra. Selados com o testemunho dos tormentos e do martírio  sofridos por seus autores, os Evangelhos - segundo o estudo mais crítico-científico feito, através dos anos de investigação, por homens alheios a seu ideal religioso - são as fontes críticas irrecusáveis que nos colocam, com absoluta segurança científica, em contato com a Pessoa e a obra de Jesus Cristo.
     Ninguém pode duvidar de seu conteúdo, se essa dúvida for prudente e racional. Sim, porque duvidar imprudente e irracionalmente é possível....
     Creio, amigos, que nenhum dos que aqui leem estão dispostos a querer proceder imprudentemente, nem dos que querem ser irracionais.


                                                               



                                                                          * * *



     Vejamos nos referidos documentos, fontes de historicidade autêntica, quem é Jesus Cristo.
     Jesus Cristo manisfestou-se com insuperável claridade, dizendo categoricamente quem é....
     Anunciava-se a vida do Legado Divino, do Filho de Deus.
     Em Jesus Cristo se cumpririam todos os escritos proféticos ficando, destarte, indubitavelmente designado quem era; agora, porém, não são os profetas, senão Ele mesmo que se manisfeta e se revela à Humanidade.
     O fato central histórico na vida de Jesus Cristo é a Sua afirmação categórica, repetida privativamente, em público e diante do tribunal, de que era Ele o Filho de Deus.
     Tu credis in Fillium Dei?", perguntou Ele ao cego de nascença, a quem acabara de dar a visão. "Crês no Filho de Deus?" Ele respondeu afirmando: "Quem é, Senhor, para que creia n'Ele?" E tornou Jesus: "Viste-o (Perceba q, fazia só um instante que ele podia ver ) e é este mesmo que fala contigo". ( João 10. 36-37).
     - "Não é por causa de nenhuma obra boa que te apedrejamos, mas pela blasfêmia e porque sendo Tu um simples homem, de  te fazes Deus!". (João 10.30-33).
     Aqui quiseram apedrejá-lo, mas após o discurso que pronunciou, diante dos escribas e fariseus, ao acabar de curar o paralítico na piscina probática, quiseram matá-Lo, porque "dizia que seu Pai era Deus, fazendo-se igual a Deus". ( João 5. 18).
     E toda Sua vida pública é uma contínua afirmação de Sua divina filiação, uma prova constante de sua mensagem.
     Diante do tribunal, no momento mais solene de Sua vida, conjura-O o Sumo Sacerdote, em nome de Deus vivo, a dizer, de uma vez por todas e claramente (quantas e quantas vezes já o dissera!): "Tu és o Cristo, Filho de Deus bendito?"
     Com a mesma clareza que, durante Sua pregação evangélica, pleno de majestade e domínio, embora manietado, sempre manteve, respondeu, categoricamente, ao Supremo Tribunal Eclesiástico: "Ego sum". Eu o Sou". (Marcos 14.61-62).
     E por havê-lo dito e reiterado categoricamente Sua filiação divina, precisamente por essa razão, condenaram-no à morte. "Nós temos uma lei e, segundo ela, deves morrer porque te fizeste Filho de Deus". (João 19.7).
     Bem decisiva é, ante a História, a reiterada afirmação de Jesus Cristo, de que Ele é o Filho de Deus.

      Aguarde a segunda parte de, Jesus Cristo na História e nos Escritos Proféticos