sábado, 29 de março de 2014

Fronteira com a China


Escrito por underground. Publicado em Coreia do Norte
Olhando a alguns metros de distância, o rio Tumen, na fronteira entre a Coreia do Norte e China, parece calmo e tranquilo. No lado norte-coreano pessoas trabalham nos campos, perto de seus vilarejos. Ao fundo estão enormes e íngremes montanhas. Você também verá uma cerca de arame farpado, monitorada por câmeras e bunkers militares. A cada 5 a 15 minutos veículos militares patrulham a região. Medidas que não servem apenas para prevenir que as pessoas fujam do país, mas também para não deixar que o Evangelho entre na Coreia do Norte.
"Lembro-me de ver muitos norte-coreanos passando por nosso vilarejo em 1996, implorando por comida. Pareciam zumbis, com roupas esfarrapadas, exaustos, mais mortos do que vivos. Algumas vezes famílias inteiras passavam por nossa vila.” Lembrou o pastor Yun, que lidera uma das igrejas que mantém suas portas abertas para refugiados da Coreia do Norte, apesar das punições que possa sofrer se forem descobertos ajudando estes refugiados. Não muitos membros de sua pequena congregação sabem que sua igreja, em parceria com a Portas Abertas, ajuda secretamente norte-coreanos ilegais com apoio financeiro e treinamento bíblico. “Existem espiões em todos os lugares, até mesmo em nossos cultos aos domingos.
Nos últimos anos, a situação mudou bastante. A partir do ano 2000, as autoridades chinesas ficaram menos tolerantes e espalharam muitos quilômetros de arame farpado – às vezes eletrificado – pela fronteira, para deter os refugiados. Existem apenas poucos pontos abertos na fronteira; as pessoas precisam se arriscar em estradas difíceis nas montanhas, sobreviver às fortes correntes do rio, fugir de patrulhas militares e de armadilhas colocadas nos dois lados da fronteira. Ainda assim, o pastor Yun vê algumas dúzias de pessoas fugirem todos os meses. Algumas “compram” o passaporte e o visto das autoridades do país. Pagam um alto preço – devem trazer de volta dinheiro, comida e outros presentes para os oficiais e se não retornarem, suas famílias serão severamente punidas. Outras subornam guardas, cruzam a fronteira à noite e pulam a cerca de arame farpado jogando cobertores em cima dela. Cerca de metade dos refugiados ilegais é pega durante sua viagem à China ou na volta pra casa.
Quando saem da Coreia, os refugiados são expostos ao Evangelho e abraçam a verdade que Cristo é Senhor e Salvador. “Eu conheço três norte-coreanos cristãos”, disse Cho, outro pastor chinês que trabalha com norte-coreanos. “Eles caminham por estradas secretas e voltam à China uma vez por ano, procurando por comida. Então entrego para eles arroz, feijão, milho, batatas, óleo de cozinha, macarrão, sal e outros produtos; cerca de 200 quilos no total”.
Imagine aqueles magros e frágeis cristãos atravessando montanhas íngremes e escorregadias, carregando mochilas cheias, pesando sessenta ou setenta quilos, mas voltam para casa tremendamente encorajados”, diz pastor Cho. “Claro que precisam de comida. Lembro-me de conhecer a líder do grupo, uma mulher idosa que veio durante um inverno. Durante o caminho chegou a ficar na floresta por cinco dias e quase morreu congelada. Mas a razão principal pra ela e outros cristãos virem até aqui é para receber treinamento bíblico. Desejam ser treinados e instruídos.
Os riscos para estes cristãos e para Cho são altos. “Nós confiamos uns nos outros, mas ainda assim precisamos ser extremamente cuidadosos. Por exemplo, eu não sei nada sobre outros cristãos que fazem parte da rede deles. Na verdade, não sei seus nomes reais e eles não conhecem o meu”.
Às vezes as coisas dão errado. “Pude entrar em contato com outro cristão na Coreia do Norte. Ele veio várias vezes e nós tínhamos um bom relacionamento. No entanto, há meses não recebo notícias dele. Estou profundamente preocupado e tenho medo que ele esteja preso. Não posso ir até lá ou mandar alguém no meu lugar. Talvez a polícia secreta da Coreia do Norte esteja esperando que alguém vá visitar aquele homem. Não sei o que fazer”.
Este é um sinal que a batalha se intensificou. Outros cooperadores que secretamente ajudam refugiados cristãos reportaram as mesmas coisas. Está cada vez mais difícil para um norte-coreano fugir do país, ele perde contato com outros cristãos e a situação da Coreia do Norte está ficando ainda mais desesperadora no governo de Kim Jong-Un.
Mas o Evangelho continua alcançando muitas pessoas. “Quando comecei meu ministério entre mulheres refugiadas da Coreia do Norte sabia que seria difícil”, disse uma colaboradora da Portas Abertas na China. “Muitas vezes é bem difícil, oro e jejuo antes de cada reunião com elas, mas os frutos são incríveis! Elas abraçam o evangelho rapidamente, como se elas já estivessem preparadas. Elas foram preparadas por Deus. Recentemente compartilhei sobre Salomão e as duas mães que brigavam por um bebê. Uma das visitantes disse que conhecia a história, mas não se lembrava de onde. Na mesma semana ela decidiu seguir a Cristo. Não foi uma coincidência!”.
Outra colaboradora chinesa que trabalha com cristãos norte-coreanos disse que é profundamente desafiada pela fé deles. “Se me perguntar por uma palavra que os descreva, eu escolheria ‘fiéis’. Nem todos possuem uma Bíblia, mas graças aos seus líderes, eles realmente conhecem e vivem a Palavra de Deus. No auge da fome, seu líder reintroduziu o conceito do ‘arroz santo’, uma prática onde uma parte do arroz é separada e não consumida, para ser usada para o Reino de Deus. Desde então estes cristãos não consomem parte da comida que recebem de nós. Separam uma parte para dar às pessoas que estão em situação pior que a deles. Isso lhes dá a oportunidade de construir um relacionamento de confiança e depois compartilhar o evangelho com essas pessoas”.
Para alguns, cruzar a fronteira significa encontrar vida espiritual e física. Outros morrem na corrente do rio no verão, congelam no inverno ou são mortos por guardas que querem ser promovidos. No lado chinês a cruz no alto de uma igreja parece tomar conta do rio Tumen, clamando silenciosamente que há esperança para todo aquele que crer. Do outro lado da água, na Coreia do Norte, há muitos cristãos que carregam a mesma cruz e a mesma mensagem em seus corações.
*Todos os nomes foram alterados por motivos de segurança.
Fonte: Saiba mais

http://igrejaremanescente-igrejaremanescente.blogspot.com.br/ * Serão permitida reprodução total quanto parcial, onde poder ser incluídos textos, imagens e desenhos, para qualquer meio, para sistema gráficos, fotográficos, etc., sendo que, sua cópia não seja modificada nem tão pouca alterada sua forma de interpretação, dando fonte e autor do mesmo. P.Galhardo.