quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A Mentira de Malaquias


Introdução
O nome Malaquias em hebraico מלאכי (malachi), que quer dizer “o meu mensageiro”. Depois de o templo ter sido reconstruído em Jerusalém (mais ou menos 515-450 a.C.), o profeta veio para advertir o povo de Judá que não estava obedecendo às leis de Deus.

Que leis eram que o povo não estava obedecendo? Estava condenando que os sacerdotes eram infiéis por permitir no meio do Seu povo o casamento com mulheres estrangeiras e infidelidade conjugal. Além dos roubos dos dízimos e das ofertas.

O Livro de Malaquias é um livro profético que faz descrições que mostram a necessidade de reformas antes da vinda do Messias. Por ser um livro curto e de acordo com a catalogação, Malaquias é o último dos profetas menores, tendo sido escrito por volta do ano 430 a.C., sendo que o seu nome não é citado em mais nenhum livro da Bíblia.

O profeta Malaquias foi contemporâneo de Esdras e Neemias, no período após o exílio do povo judeu na Babilônia em que os muros de Jerusalém tinham sido já reconstruídos em 445 a.C., sendo necessário conduzir os israelitas da apatia religiosa aos princípios da lei mosaica.

Os temas tratados na obra seriam o amor de Deus, o pecado dos sacerdotes, o pecado do povo e a vinda do Senhor.

Nas últimas linhas deste livro do Antigo Testamento bíblico, vemos uma exortação de Deus às famílias: "converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos seus pais". No término do livro de Malaquias convida-se ao arrependimento da família como alicerce da sociedade.
Outro tema tratado no livro de Malaquias refere-se às ofertas e aos dízimos, nos versos de 7 a 12 do capítulo 3, passagem esta que é muito utilizada com o objetivo de se justificar com amparo bíblico a contribuição da décima parte das rendas dos fiéis de uma organização religiosa. (wikipédia).

Embora o dízimo tenha sido reconhecido desde a época de Moisés, nos dias de Malaquias os sacerdotes do templo recolhiam as ofertas e não repassavam para os levitas, para que eles pudessem utilizá-las para cuidar dos próprios levitas, dos órfãos, das viúvas e viajantes. E isso fez com que o profeta (Malaquias) iniciasse uma advertência a todos sobre o roubo do dízimo: "Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda." (Malaquias 3:9).

A nação que Deus estava repreendendo era Israel, ou seja, os descendentes de Jacó. Ele era amado por Deus; quanto Esaú, sobre descendência Deus odiou (edomitas) (1.3). Odiar significava não o havia escolhido.

Veja que já no Primeiro Capítulo de Malaquias diz: “Esta é a mensagem que o Senhor Deus mandou Malaquias entregar ao povo de Israel...”.

Portanto, a mensagem é exclusiva a nação de Israel, para mim, muito claro isso!

Agora do verso 6 em diante, percebemos que Deus queria guiar o povo no caminho certo; e orienta os sacerdotes que estavam desprezando a aliança que havia feita sobre como deveriam oferecer os sacrifícios de animais, para não trazer animais impuros. E não estavam obedecendo e com isso, estavam ofendendo a Deus.

Os animais que traziam, estavam cegos, aleijados ou doentes (8), como também defeituosos (14). E esta forma de oferecimento já tivera sido proibido por Deus: “... quando um Israelita ou um estrangeiro que vive no meio do povo apresentar em sacrifício ao Senhor Deus um animal que vai ser completamente queimado, seja para pagar uma promessa, seja uma oferta feita por vontade própria, O ANIMAL DEVERÁ SER UM MACHO SEM DEFEITO. Assim, a oferta será aceita. O animal poderá ser um touro ou um carneiro ou um bode, MAS DEVERÁ SER SEM DEFEITO. Se um animal defeituoso for oferecido, Deus não ACEITARÁ A OFERTA. (Levítico 22.19 e 20).

Portanto, Deus estava repreendendo-os por trazerem essas ofertas de ANIMAIS DEFEITUOSOS. E não outra coisa, como alguns pretendem pretensiosamente colocar.

Observe agora que Deus no verso 11, alega que os que o Adoraram no mundo todo, oferecem, SACRIFÍCIOS PUROS. Ou seja, animais puros. “Então terás prazer em receber os sacrifícios certos e os ANIMAIS que são totalmente queimados. E touros novos serão oferecidos no teu altar.” (Salmo 51.19).

É impossível não aceitar que não seja animais aqui neste capítulo. O contexto refuta aqueles que não aceitam essa honraria a Deus.

Quando Deus mostra o fogo aqui no contexto, referisse justamente o extinguir a oferta queimando-a definitivamente, e aceitando-a como cheiro suave, porque essa representava Seu Filho que um dia ia ser extinto (morto) na Cruz do Calvário.

O castigo dos sacerdotes que nos são apresentados sobre maldição de Deus, neles, era porque não estavam sendo cumpridores do que seus avôs, Arão e Levi haviam determinado quanto Deus os ordenou que fizesse. “Eram estes os descendentes de Arão e de Moisés no tempo em que o Senhor falou com Moisés no monte Sinai. Os nomes dos filhos de Arão são os seguintes: Nadabe, o mais velho; depois Abiu; Eleazar e Itamar. Eles foram ungidos e ordenados para servir como sacerdotes. Porém Nadabe e Abiú foram mortos quando, no deserto do Sinai, estavam oferecendo a Deus, o Senhor, fogo que não era sagrado (fogo estranho). Eles não tinham filhos, e por isso Eleazar e Itamar serviu como sacerdotes durante a vida de Arão.” (Números 3.1-4).

Foi da descendência desses dois filhos de Arão que exerceram o sacerdócio do templo, bem como os netos de Levi também. Assim, fica mais que evidente que eles quebraram a aliança, quando ofereceram oferendas impuras a Deus.  “– Na aliança que fiz com eles [descendentes de Arão e Levi]...” (2.4 e 5).

Ainda para piorar as coisas, eles, o povo de Judá e Israel, casaram-se com mulheres que ofereciam sacrifícios a ídolos pagãos. Coisa que era proibida por Deus. Por isso que Deus não aceitava mais suas oferendas de sacrifícios. (Ml 1.10).

Quando o livro de Malaquias apresenta a mulher como esposa nos versos 14 e 15 do capítulo 2, não estão falando somente no sentido literal, mas simbólico; porque a esposa de Deus era Israel e ela divorciasse e agora casa com os povos que adoraram deuses pagãos; e passa a oferecer sacrifícios estranhos.

Neste contexto de todos os capítulos, Deus agora ver-se obrigado a mostrar seus juízos divinos, a fim de castiga-los, aqueles que rejeitam suas ordens. E quer purificar de novo os sacerdotes para que venham oferendar os sacrifícios de forma perfeita. (3.3).

“Então as ofertas trazidas pelo povo de Judá e pelos MORADORES DE JERUSALÉM (israelistas), agradarão a Deus, como aconteceu nos tempos passados.” (Malaquias 3.4).

Ai vem no contexto, sua advertência, que Ele não muda e por isso não destrói a descendência de Jacó. Porém, alega que estão roubando-lhe nos dízimos e ofertas, que é a décima parte das colheitas e dos animais que eram oferecidos a Deus, de acordo como mandava a Lei de Moisés.

Veja: “A décima parte das colheitas, tanto dos cereais como das frutas, pertence a Deus, o Senhor, e será dada a Ele. Se o dono quiser tornar a comprar alguma porção dessa décima parte, pagará o preço marcado, mais um quinto.” (Levítico 27.30 e 31), mas não termina ai...

Note: “O Senhor disse: - Eu dou aos LEVITAS todos os dízimos que o povo de Israel me oferece. Isso é o pagamento pelo serviço de cuidar da Tenda Sagrada... Mas os LEVITAS farão o trabalho da Tenda e serão responsáveis pelos erros que cometerem; essa lei é para sempre e valerá também para os seus descendentes. Os LEVITAS não terão nenhuma propriedade em Israel, pois Eu lhes dei, para serem propriedades deles, os DÍZIMOS que os israelitas me apresentam como oferta especial. Foi por isso que Eu lhes disse que não teriam propriedades em Israel.” (Números 18.21 a 24).

1)    Existem levitas hoje, para que possam usar os dízimos (cereais e frutas), como alimentos? Talvez?

2)    Os levitas deveriam fazer o trabalho na Tenda Sagrada, que trabalho era esse? Seria todo ritual cerimonial?

3)    Não poderiam ter propriedades nenhuma, e a oferta deveria ser sua propriedade em Israel?

O contexto nos mostra que há algo errado hoje, quando apresentam Malaquias para assentir a sustentação ao argumento que deva dá o dízimo dentro do livro. Coisa que não é verdade!

Mas o que realmente estava acontecendo com os israelitas que Deus condenava-os que estavam roubando-Lhe?

O povo estava preocupado, e não levava os dízimos, sua comida, cereais e frutas, porque achavam que pudessem acabar ou faltar, como bem trata a Bíblia no livro de Ageu 1. 1-11.

Agora perceba concretamente o que diz as Escrituras Sagradas: “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja MANTIMENTO na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós benção sem medida.” (Malaquias 3.10).

1)   O que é mantimento? Segundo o dicionário online de português, mantimento é, s.m. Víveres, alimento, sustento; comida.
Manutenção, custeio.

O sinônimo é alimento e
vitualha que é comestível.

Nós não comemos dinheiro. Então, descarta-se seja isso. Porém, poderemos usá-lo para nos sustentar e manutenção. Mas o contexto todo está referindo-se aos oferecimentos de sacrifícios de animais impuros. Como podemos ver aqui: “E ali oferecerão em sacrifício os animais que são queimados no altar e também apresentarão outros sacrifícios. Para esse lugar trarão a décima parte dos animais e das colheitas, as contribuições, as ofertas prometidas, as ofertas feitas por vontade própria e as primeiras crias das vacas e das ovelhas.” (Deuteronômio 12.6).

2)   Se não é alimento, por que em Deuteronômio 12.7 diz: “Lá, comereis perante o Senhor, vosso Deus, e vos alegrareis em tudo o que fizerdes, vós e as vossas casas, no que vos tiver abençoado o Senhor, vosso Deus”?

Pois bem, não tem como fugir do contexto e alegar ser outra coisa, porque as regras de Deus não muda, como o próprio texto do verso 6 do capítulo 3 nos diz.

E ainda mais, Deus mostra indiscutivelmente que essa doutrina era para o Israel quando apresenta as plantações, bem como as parreiras sendo destruídas pelos gafanhotos se eles negassem trazer os dízimos. (3.11).

Por fim, Deus mostra sua misericórdia para o povo quando faz a diferença entre o que acontecem com as pessoas boas e más, os que servem e os que não servem. E  apresenta que a destruição não veria antes de chegar o profeta Elias que convenceria os pais e os filhos para fazer as pazes para que Ele não venha castigar o país e destruí-lo completamente. (Ml 4.4 e 5).

Conclusão

Eu acredito que a igreja e seus ministros devam ser ajudados e mantidos, mas não podemos deixar de ver a verdade neste livro magnifico que é o de Malaquias. Já me cobraram várias vezes com relação às explicações quanto ao dizimo; e nunca quis fazê-lo para não causar controvérsia; porém, isto não é honesto, nem digno se assim não proceder-se.

Embora, sermos imperfeitos e muitas vezes controversos, quando nos dispusemos a estudar, achamos a verdade que Deus através de Seu Espírito nos mostra.

Sabemos e conhecemos que aqueles que trabalham na obra de Deus devam receber merecidamente pagamento dobrado, especialmente os que se esforçam na pregação do evangelho e no ensino cristão. Como bem tratou o apóstolo Paulo em suas cartas a Timóteo. (I Timóteo 5.17), contudo, o livro do Profeta Malaquias não se refere a dinheiro, pelo simples fato de que os sacrifícios de animais simbolicamente era a expiação que Jesus iria fazer um dia, a fim de anular os pecados nos homens.

Jesus também quando escolheu aqueles que iriam abrir o caminho para o evangelho cristão, disse que não levasse no cinto, nem ouro, nem prata, nem moedas de cobre. Nesta viagem nem sacola, e nem túnicas a mais, nem sandálias, nem bengalas para se apoiar. Pois o trabalhador tem o direito de receber o que precisa para viver. [Ou digno do seu trabalho]. (Mateus 10.10)

Percebeu? Se fosse usar o texto para ajustar nossas vontades ao bel prazer, teríamos que agir como os discípulos. Porém, esta mensagem não era para nós, mas sim para os seguidores (12) de Jesus.

Aqui fica certo que muitas das mensagens não se referem para o povo hoje, mas para um povo determinado, e este os israelitas que estavam pecando com uniões pagãs e oferendas defeituosas.

Assim sendo, digo que a mensagem de Malaquias não é para nossos dias, e nem mesmo para dá sustentação ao argumento de dinheiro, e se formos realmente honestos com o contexto deste livro. Deus abençoe a todos! Amém! [Galhardo].