domingo, 26 de julho de 2015

A história da liturgia da igreja



ATENÇÃO: SÓ COMECE LER ESTE TEXTO SE SUA INTENÇÃO FOR LÊ-LO ATÉ O FIM.

Quando Tiago II foi deposto do trono inglês e sucedido por Guilherme e Maria, em 1689, uma controvérsia indecorosa agitava a puritana cidade de Boston. Os esforços do governador real de Massachusetts para implantar a celebração pública dos ofícios do Livro de Oração foram obstinadamente combatidos pelos principais teólogos puritanos. Um de seus ministros mais notáveis. Increase Mather publicou um insolente panfleto intitulado: UM BREVE DISCURSO SOBRE A ILEGALIDADE DO CULTO DO LIVRO DE ORAÇÃO.

O livro de Mather afirmava que a liturgia da Igreja da Inglaterra pouco faltava para ser idólatra, declarando, outrossim, que continha algumas coisas que “não podiam ser praticadas sem pecado”. 

Qualificou os ofícios do Livro de Oração de “responsos e fragmentos irregulares de Oração que os sacerdotes e povo arremessam dum lado para outro entre si, como bolas de tênis”.
 “Nesta Era de Luz”, disse ele, “apoiar o Livro de Oração Comum e anuir a ele constitui clamorosa apostasia. Uma liturgia limitada se opõe ao Espírito da Oração”. E acrescentou: “Jamais esquecerei aqueles eminentes e fiéis ministros de Cristo que foram exilados num deserto americano, onde padecerem tanto, simplesmente porque não ousaram aceitar o Livro de Oração Comum”.

Hoje podemos sorrir em face dessas palavras antiquadas e amargas. Mas lembra-nos de modo vivido, o prolongado divisionismo que houve na América do Norte e Inglaterra, desde o tempo da Reforma, entre os cristãos que adotam uma forma litúrgica de culto incorporado e aqueles que rejeitam desdenhosamente o formalismo de orações escritas e ofícios lidos.

Vários elementos determinaram as objeções dos puritanos ao uso do Livro de Oração. Um deles era o arraigado preconceito contra tudo aquilo que, mesmo remotamente, se relacionasse com o culto da Igreja Católica Romana. É fato indiscutível que o Livro de Oração Comum descende diretamente dos ritos latinos do catolicismo medieval. Mas os puritanos combateram também algumas das doutrinas expressas nas orações do Livro. E certas cerimônias nele prescritas, tais como o sinal da cruz no Batismo e a entrega das alianças no Santo Matrimônio, foram encaradas como pouco menos que superstição. Fundamentando as críticas ao uso do Livro de Oração Comum, estava, entretanto, um princípio básico que acreditavam derivado do ensino do Novo Testamento: “Não extingais o Espírito; não desprezeis as profecias”. Uma ordem de culto preceituada e escrita parecia aos puritanos o mesmo que negar a instrução do Espírito Santo, prometida aos que orassem de conformidade com a mente de Deus.

Muitos Cristãos devotos ainda hoje esposam essas reações puritanas contra os ofícios litúrgicos. Consideram-nos excessiva e caracteristicamente formais e externos, algo fixo e rotineiro onde falta a liberdade, simplicidade e naturalidade de expressão. Frequentemente associam o culto litúrgico com o uso elaborado de simbolismo e cerimonialismo oriundos do longínquo passado, e com uma estranha espécie de música chamada cântico cujo som é diferente de tudo quanto há neste mundo. Estas impressões, contudo, são o resultado de uma concepção errônea sobre a natureza liturgia. Ornamentos externos não fazem uma liturgia, assim como as roupas não fazem um homem. Uma congregação reunida numa catedral ricamente ornamentada não adora liturgicamente se apenas ouve em silêncio a leitura de orações feita pelo ministro e os cânticos entoados pelo coro, ainda que primorosamente executados. Que é, então, liturgia?

O SIGNIFICADO DA LITURGIA

A palavra liturgia, como tantos outros termos técnicos da religião, tem origem secular. Os gregos formaram o termo de duas palavras que significavam “povos” e “trabalho”. Quando um cidadão das antigas Antenas custeava às próprias expensas uma obra ou divertimento públicos, ou então fornecia equipamentos para as forças armadas, dizia-se que ele havia realizado uma liturgia. 


Algumas vezes essa atitude era voluntária; outras vezes imposta pelo Estado aos cidadãos afortunados.

Na versão grega do Velho Testamento (a Septuaginta) o uso não religioso da palavra liturgia é encontrado ocasionalmente. Mas foi empregado com mais frequência para descrever as funções desempenhadas pelos sacerdotes e levitas no templo. Assim, encontramos o termo empregado em o Novo Testamento para denotar os deveres exercidos por Zacarias, pai de João Batista (Lucas 1.13). Paulo, por seu turno, usou-o várias vezes. Disse na Epístola aos Romanos que os magistrados civis eram ministros, isto é, liturgistas, de Deus (Romanos 13.6). Considerou-se também pessoalmente como “o liturgia de Jesus Cristo aos Gentios, ministrando (ou seja, realizando a sagrada hierurgy, ou liturgia) o Evangelho de Deus, para que a oferenda dos Gentios fosse aceitável, sendo santificada pelo Espírito Santo (Romanos 15.16)”. O livro de Atos diz que os profetas e mestres de Antioquia celebravam a liturgia ao Senhor, ou seja, dirigiam o culto público da Igreja (Atos 13.12).

No decurso do tempo os cristãos primitivos restringiram a palavra liturgia às funções públicas da Igreja presididas pelos ministros. Nas Igrejas Ortodoxas orientais, tornou-se o termo técnico usado para designar somente o rito da Eucaristia. São Bento de Núrsia descreveu a liturgia de seus monges, especialmente seus atos incorporados de culto, como “o trabalho de Deus”, e a considerou a atividade mais importante da comunidade religiosa.

Assim, no seu sentido mais profundo, liturgia significa um ato realizado em benefício de uma comunidade. No seu sentido mais restrito, ela se refere às cerimônias e ritos públicos oficialmente autorizados pela Igreja, em contraste com as orações e devoções particulares de indivíduos ou de grupos voluntários de cristãos. 


Literalmente, liturgia é a “ação do povo” em sua vida comum de oração. Envolve, portanto, a participação responsável e ativa de todos os adoradores, tanto os ministros como os leigos. Embora tivesse a intenção de zombar, Increase Mather não estava muito distante do ponto quando descreveu a liturgia do Livro de Oração Comum como “Oração que os sacerdotes e povo arremessam dum lado para outro entre si, como bolas de tênis”. O fato é que os jogadores de ambos os lados da rede tem a sua vez de “servir”.

Frequentemente o culto litúrgico tem sido comparado a um drama. Mas a analogia não é bem exata. No teatro um conjunto pequeno de artistas representa diante do auditório. A assistência pode ficar profundamente comovida ou então deleitosamente divertida pelos atores. Mas não tem qualquer responsabilidade no drama. Numa liturgia, porém, todos os participantes são atores, e cada um precisa conhecer seu papel e suas deixas. Quanto mais familiarizado estiver o ator com a sua parte, tanto mais prontamente desempenhará o drama com entendimento e satisfação. Veremos num capítulos subsequentes como as exigências do culto litúrgico influenciaram no desenvolvimento das ordens do ministério da Igreja. Pois o Bispo, o Presbítero, o Diácono, O Leigo, cada um tem sua função própria no drama da liturgia.

Uma vez que o culto litúrgico demanda uma participação incorporada, não admira que as liturgias tenham a tendência de se tornarem fixas no uso de formas habituais e familiares. Tais formas podem-se tornar fixas através do relato escrito; ou podem ser transmitidas pela tradição oral. Embora seja possível adorar liturgicamente sem o emprego de frases velhas e familiares, a maioria das liturgias em uso entre os cristãos possuem uma forma tradicional e uma linhagem antiga, apesar de serem tempos a tempos revisadas e alteradas. Os livros litúrgicos das várias Igrejas da Cristandade revelam as mãos de muitos homens de épocas e lugares diferentes, alguns deles conhecidos outros anônimos.

 Novos usos litúrgicos são constantemente inventados para enriquecer, modificar e até mesmo suplantar os antigos. No capítulo seguinte traçaremos a história de como os ritos do Livro de Oração Comum chegaram até nós através dos séculos. Entrementes, é conveniente analisar os vários elementos que compõem o culto litúrgico.

OS ELEMENTOS DO CULTO LITÚRGICO

Toda liturgia consta de três elementos: ordem, ritual e cerimonial, em diversas combinações de elaboração ou de fixidez.

1.   Ordem. A ordem de uma liturgia é sua estrutura, sua forma. Deve ser invariável, pois sem ordem fixa a liturgia é como um corpo sem esqueleto, um jogo sem regras. Se o culto é incorporado, torna-se necessária. Os fieis precisam saber o que esperam o que vem depois. Se não conhecem a ordem, não podem participar ativamente. Fazem-se passivos nas devoções particulares do oficiante. Mas, como já vimos à liturgia não é um exercício pessoal de devoções realizadas em público, por mais útil e instrutiva que tal forma de culto venha a ser. Envolve, pelo contrário, atitudes recíprocas entre o ministro e o povo. E só pode ter esse caráter incorporado quando todos os participantes sabem quando suas respectivas partes entram em cena.

Frequentemente a ordem de uma liturgia é determinada pela sequencia natural. A água da pia batismal será abençoada antes de o candidato ser batizado. O pão e o vinho são primeiramente tomados, depois abençoados e finalmente distribuídos na comunhão. Qualquer outra ordem pareceria ilógica. Mas nem sempre isso é tão evidente. Por exemplo, deve a penitência conduzir ao louvor, ou o ato de adoração preceder e sugerir a penitencia? O pensamento católico é que a adoração e penitencia são reações quase que simultâneas à presença de Deus. Devem, ainda, nossas (católicos) intercessores na Eucaristia serem associadas às nossas (católicos) ofertas, com a consagração destas ofertas, ou com nossa comunhão?

Essas perguntas não têm respostas já feitas. As várias liturgias das Igrejas cristãs dão soluções diferentes. Mas, qualquer liturgia bem ordenada tem seu principio próprio de arranjo, seu próprio ritmo de movimento e progresso. Isto é o que chamamos de rationale (racional) em uma liturgia. Na sua elaboração haverá um sentido lógico e psicológico. Haverá sempre uma razão para a sua forma e sequência. 

2.   Ritual. O ritual é o órgão vocal de uma liturgia: as palavras ditas ou cantadas. O ritual estabelece e interpreta o sentido daquilo que os adoradores fazem juntos. O culto cristão, acima de tudo, é uma comunicação de palavras – da Palavra de Deus aos homens e das palavras do homem a Deus. Constitui o modo especial pelo qual é proclamada a Palavra Divina de graça e de julgamento. “A fé vem pelo ouvir” (Romanos 10.17). É verdade que o culto pode ser real e eficiente, mesmo sob o aspecto incorporado, sem o uso de qualquer palavra. O silêncio da reunião dos Quakers é uma prova disso. 


Também o católico romano experimenta a comunicação da presença de Deus, juntamente com seus companheiros, assistindo silenciosamente ajoelhado à celebração de uma Missa, sem, no entanto ouvir ou compreender uma única palavra proferida pelo sacerdote. Mas isto é somente possível porque a Palavra de verdade lhe foi comunicada em alguma outra época e de algum outro modo.


 Pois é a Palavra que imprime sentido ao símbolo e à cerimônia.
A palavra do ritual se expressa de diversas maneiras – pelas orações e cânticos, leitura todas as artes retórica e da música. Pois tanto a palavra falada como a cantada são modos diferentes, cada qual com sua característica peculiar de expressão, de proclamar e ouvir a verdade de Deus. Os hinos, cânticos, antífonas e cantatas são lições e sermões em forma de canto. Num ofício o mesmo texto pode ser usado pelo sermão e pela antífona. Entretanto, a mesma verdade é comunicada, embora com efeito diferente.

Sempre a música esteve vinculada ao ritual no culto litúrgico, pois é um meio universal de expressar sentimentos e emoções, de alegria ou tristeza, esperança ou desespero. Uma vez que o culto envolve o homem integral, não apenas sua mente, mas também suas emoções são naturais que se expresse através do canto. Tem ainda a música o estranho poder de unir homens e mulheres em comunidade, tornando-os de um só coração e voz. Tem-se dito, com grande justeza, que é a vitalidade do senso de comunhão no culto uma congregação pode ser julgada pelo vigor de seu canto.


Um dos meios mais seguros para abrandar o coração obstinado e egoísta e elevá-lo ao amor de Deus e da irmandade é a participação do pecador no canto da congregação.

É erro, porém, pensar que há estilo específico de música litúrgica. Contam os salmos que a esplêndida liturgia do templo judaico era acompanhada com trombetas, címbalos, flautas e instrumentos de cordas. Na verdade devia ser um “barulho agradável” ao Senhor.


Por outro lado, o coro monástico medieval não usava instrumentos, nem qualquer harmonia, mas somente as melodias serenas e puras do cantochão. A música é caracteristicamente litúrgica, não pelo estilo, mas pela eficiência com que interpreta o texto sagrado.


Música e palavra assim casadas arrebatam o adorador, elevando-o a Deus. Quando a música se torna um fim em sim mesma, por mais bela que possa ser não é propriamente litúrgica. Não há lugar no culto para música que se destina a entreter ou chamar a atenção. 


Seu mérito deve ser julgado pelo poder de comunicar a Palavra, iluminando a mente para a verdade e fortalecendo a vontade para a obediência e caridade santas. 

As preferências e possibilidades de uma congregação é que determinam se dado ofício, ou parte dele, deve ser dito ou cantado. 

Certamente não há qualquer sentido doutrinário num oficio cantado. Às vezes encontramos a curiosa ideia de que um oficio coral é “católico” ao passo que um oficio dito ou lido é “protestante”. Em realidade, o costume antigo da Igreja, ainda conservado nas Igrejas Orientais, era o de considerar o oficio coral como normativo. Foi a Igreja Latina medieval quem inventou o ofício dito, à semelhança da Missa rezado. Esta inovação, em certo sentido, transformou uma necessidade em virtude; pois nas paróquias pequenas não havia recursos disponíveis para a celebração de uma liturgia integralmente coral. Ao tempo da Reforma Protestante, Crammer contratou o famoso músico, John Merbecke, para por em música simples e congregacional os ofícios do Livro de Oração. Lutero também determinou a continuidade do oficio coral e Calvino contratou os melhores músicos disponíveis para por os salmos em música apropriada. Em algumas igrejas grandes é necessário cantar os ofícios para que as palavras sejam ouvidas distintamente pela congregação. O que não é propriamente litúrgico, em igrejas católicas ou protestantes, é que o canto da parte da liturgia reservada ao povo seja usurpado pelo coro, ou mesmo pelo ministro, como sucede em alguns casos.

Há certas partes do ritual que pertencem necessariamente à congregação – responsos, credos, hinos, tais como o Sanctus e a Glória. Há também momentos específicos quando um coro composto de cantores bem treinados pode contribuir para o culto com a interpretação própria de cânticos e antífonas especiais. 

Quando as congregações encorajam e permitem que o coro tome a si a responsabilidade dos cânticos e hinos que na verdade lhes pertencem, usando elaborados arranjos musicais, que estão muitos além do alcance do adorador mediano, estão elas se privando de privilégios e responsabilidades. Então já não participam da liturgia; tornam-se meros ouvintes de uma representação.

O elemento ritual de uma liturgia tende a tornar-se fixo e invariável, mesmo nas partes designadas unicamente ao ministro.

 Nos primeiros séculos, o celebrante compunha a oração de consagração do pão e do vinho segundo a sua própria inspiração e habilidade. Somente no quarto século encontramos a prática de formas fixas e escritas. Quando um ritual se consolida em textos prescritos, nem por isso perde necessariamente a variedade. As orações, lições e cânticos podem variar de domingo para domingo, de um dia santo [sábado] para outro.

O desenvolvimento do Ano Cristão, e a adaptação da liturgia aos seus diversos temas, têm evitado que os grandes ritos históricos da Igreja caiam em exânime monotonia. Nos ritos do Livro de Oração, tanto nas Orações Matutina e Vespertina como no Ofício de Santa Comunhão, algumas partes são fixas e inalteráveis, ao passo que outras variam conforme a quadra do Ano Cristão. Dentro de certos limites, o Livro de Oração faculta escolhas livres e indeterminadas, como, por exemplo, a seleção de hinos, antífonas ou orações segundo o tema do sermão.

3.   CERIMONIAL. Uma vez que a liturgia é sempre um ato incorporado, requer certas cerimônias. O cerimonial inclui os atos do culto. Os sacramentos, que, de qualquer modo, precisam ser realizados, envolvem determinados movimentos e gestos necessários, instrumentos e símbolos. Assim, a base de todo o cerimonial é utilitarista – fazer reverente e eficientemente o que tem de ser feito. Mas as cerimônias podem também ser interpretativas e expressivas. O sinal da cruz [que não está na Bíblia para fazê-lo], a vênia com a cabeça, a mistura de vinho e água no cálice, o ajoelhar-se, tudo isto são significativas expressões de atitudes e crenças religiosas, ainda que não sejam acompanhadas de qualquer texto que as expliquem.

O cerimonial não inclui apenas os atos dos ministros, mas também os da congregação. Algumas vezes todos os adoradores tomam parte. Por exemplo, todos levantam para ouvir a leitura do Evangelho no Ofício Eucarístico, todos contribuem por ocasião do ofertório, todos se ajoelham no comungatório para receber a comunhão. Outras cerimônias são desempenhadas só pelos representantes da congregação ou pelos ministros, notadamente, os que procedem à leitura das lições bíblicas, aqueles que apresentam as ofertas do povo, os que acolitam o celebrante no altar. De todas elas, talvez a mais dramática seja a procissão [que não se faz bíblica]. Das procissões algumas são supostamente necessárias, como a que é feita para trazer as ofertas ao altar; outras são simbólicas, como as de casamento, ou as efetuadas nas grandes festas religiosas, quando se cantam hinos, nunca espécie de parada sacra em dia de gala, cheia da alegria e exuberante vibração espiritual que a festa evoca. É interessante lembrar que as procissões [anti-bíblicas] não existem para ser observadas ou assistidas, mas participadas. Quanto mais pessoas tomarem parte [mas idolatrando estão, estas] tanto mais significativa se tornará ela.

Os auxílios visuais do culto são geralmente incluídos no cerimonial – o conjunto arquitetônico, os móveis e ornamentos do lugar de culto. Embora possam ser reduzidos ao essencial, mesmo assim devem ser belos e expressivos. O material usado, as proporções do comprimento, largura e altura do templo, o estilo da Santa Mesa, pia batismal [outrora era rio, e após, tanque batismal] e púlpito, o aspecto artístico dos vasos da comunhão – tudo isto contribui com sua beleza para expressar a presença do Deus invisível e santo.

O cenário da liturgia pode ser também ricamente decorado, incluindo riqueza de símbolos esculpidos em madeira ou pedra, ou apresentados em vitrais pintados e coloridos em vestes e luzes. O simbolismo é às vezes tão sugestivo e instrutivo que se gastam horas inteiras na meditação de seus motivos e pormenores [onde deveriam pensar, por que foi que quando Jesus Cristo morreu acabou todo ritual?]. As cerimônias, outrossim, se enquadram nos elementos visuais do culto, porque tanto as vemos como as fazemos. Na verdade, o surdo-mudo sente a Palavra de Deus somente através da linguagem dos sinais.

O cerimonial está intimamente relacionado com a arte, pois reflete os estilos artísticos que prevaleceram nas sucessivas gerações da história. O talhe de uma veste, o tamanho e forma de uma pia batismal ou de um altar, os ornamentos e decorações de uma Igreja, são exemplos claros de formas artísticas aceitas na época em que foram feitos. Os gestos cerimoniais, tais como levantar, curvar-se, ajoelhar-se etc. refletem também as boas maneiras da época em que o uso dos mesmos foi introduzido na Igreja. As práticas de cerimônias aceitas por uma congregação dependem de suas preferências artísticas, assim como do seu hábito.

É verdade que algumas cerimônias têm por objetivo expressar crenças teológicas. Pelo menos como tais são aceitas. As infelizes controvérsias, que se levantam periodicamente na Igreja por causa do cerimonial, são mais o resultado de diferenças de gostos ou costumes do que diferenças doutrinárias. O gosto é mudável.

 Podemos educa-lo, mas nem sempre controlar. Pois envolve tanto nossas emoções como nossas mentes. Por isso, se distinguirmos de nossas convicções sobre verdades da fé as diferenças de gosto e costume, mais tolerantes seremos a respeito das variações do cerimonial na Igreja.

Assim como as moedas do vestuário mudam de época para época, também mudam as cerimônias. Podíamos ilustrar isso indefinidamente, mas basta notar a mudança de posição do altar e dos ministros nos sucessivos períodos da história da Igreja. Nos tempos antigos, o altar era uma mesa feita de madeira os de pedra, colocada em frente do santuário ou ainda no meio da nave. O celebrante e seus assistentes permaneciam atrás do altar e encaravam o povo. Na Idade Média, os altares-mesas eram fechados nos quatro lados, tomando mais ou menos a forma de um túmulo, de vez que entesouravam as relíquias dos santos. Eram colocados contra a parede leste do santuário, sendo que o celebrante e acólitos ficavam voltados para o altar, ou seja, de costas para a congregação.

Nas Inglaterra, após a Reforma, os altares medievais foram destruídos ou abandonados. Durante a Comunhão, uma mesa simples era colocada no centro do presbítero ou no corpo da igreja. 



O ministro dirigia o oficio do “lado norte”. Mais tarde, tornou-se costume um gigantesco púlpito dominar o santuário: e a Santa Mesa, quando não havia comunhão, era guardada atrás dele, fora das vistas da congregação. Quando a arquitetura gótica foi reavivada no século décimo nono, o arranjo medieval do altar e santuário novamente se tornou uso generalizado. As maiorias das igrejas episcopais conservam este uso medieval. Mas há uma crescente tendência em nossas idas para retornar ao padrão antigo, evitando que o altar seja colocado junto à parede do santuário, de modo que o ministro possa encarar o povo quando celebra a Eucaristia. 

Seria absurdo insistir que estas diversas posições da Santa Mesa e dos ministros junto ao altar indicam grandes diferenças doutrinárias. Talvez o costume antigo realce o aspecto comunial da Eucaristia, ao passo que o estilo medieval acentua seu caráter sacrificial. No entanto, ambos os usos descrevem a Eucaristia como comunhão e sacrifício. A diferença é primariamente uma questão de gosto. Acontece com arquitetura o mesmo que sucede com a música; não há um estilo específico que possa ser chamado litúrgico. Qualquer estilo arquitetônico se apropria ao culto litúrgico, desde que ajude a participação incorporada de um modo eficiente e significativo.

As liturgias históricas variam muito sobre o cerimonial que prescrevem, permitem ou proíbem. Os livros litúrgicos da Igreja Romana trazem instruções amplas e detalhadas sobre o cerimonial. Mas o Livro de Oração contêm poucas instruções sobre o assunto. 


Geralmente diz quando devemos levantar sentar e ajoelhar. Em várias ocasiões o ministro é instruído a voltar-se e encarar o povo, ou a cobrir os vasos sagrados da Comunhão. Muito do cerimonial verificado nas igrejas episcopais, contudo, não está especificado no Livro de Oração. É uma questão de modo tradicional de fazer as coisas.

Muitas pessoas se surpreendem ao saber, por exemplo, que o Livro de Oração não faz qualquer referência ás cores que comumente associamos com as estações do Ano Cristão. O único lugar em que vestes de qualquer espécie são mencionados é no Ofício de Sagração de Bispos. Tão pouco diz o Livro de Oração como o pão e vinho para a comunhão dever ser preparados e apresentados ao altar. Especifica apenas quando eles devem ser oferecidos. A cerimônia da purificação dos vasos sagrados após a comunhão não é descrita em parte alguma do Livro de Oração, no entanto, constitui um ato bem elaborado e prolongado em algumas igrejas. 


Muitos coros não sabem que o Livro de Oração nunca fala de “procissões” do celebrante, acólitos e coristas antes e depois do ofício divino, quando são entoados hinos de louvor.

O fato de o Livro de Oração não especificar nem determinar partes do cerimonial, explica o porquê de tanta variação de cerimônias de uma para outra Paróquia na Igreja Episcopal. Explica também por que tantas pessoas confundem cerimoniais (atos preceituados que houve outrora) e rituais (palavras preceituadas outrora). Uma liturgia pode ter um ritual elaborado com pouco cerimonial, ou um cerimonial complicado com um mínimo de ritual. A oração matutina, por exemplo, é u ofício altamente ritualista, mas requer pouco cerimonial para que seja própria e devidamente realizada. Do mesmo modo, a Litania pode ser lida sem que precise de qualquer de qualquer ação ou cerimônia. Mas pode também ser cantada em procissão. Não devemos classificar uma liturgia de muito ‘ritualista’ porque possui um cerimonial rico e variado. O culto da igreja Episcopal, se julgado apenas pelo Livro de Oração, é altamente ritualista. Isto porque as palavras usadas são quase que inteiramente prescritas. Mas seu culto não é altamente cerimonialistas, a menos que o façam pela escolha e gosto da congregação.

Pois bem, como todos puderam perceber que uma liturgia é formada de vários ritos, então, a igreja compôs esses atos para que seu âmago transmitam um suposto louvor e adoração a Deus, porém, quase tudo que ela faz ou diz, não condiz com que as Escrituras Sagradas apresentam. 

É verdade que existem muitas coisas que concordo com ela uma vez que honrar a Deus necessite de no mínimo respeito. Entretanto, percebemos que como exemplo: o batismo antigo não era feito em pia e nem no tanque batismal, mas em rio. Assim também o mais ridículo será pensar que tenha que existir um Livro de Oração, pois Jesus Cristo nos alertou não usar de vãs repetições quando orar-se (Mateus 6.7).

Portanto, mesmo que esse costume seja feito pela igreja romana ou episcopal alegando seja litúrgico, o ato em si é irreverente uma vez que desobedece a ordem dita pelo Mestre Jesus Cristo.
Conquanto pareça que estão dispostos em fazer isso, por mais que possa ser um suposto desejo de honrá-Lo, isso não existe em nenhum texto bíblico, porque é mero formalismo humano e tradição.

A igreja pode até querer ter vários tipos de cerimônias relatando que essa seja a melhor forma de chegar-se a Ele, mas quando lemos que o véu rasgou-se de alto abaixo indicando que as cerimônias acabaram, necessitamos saber que isso tornar-se irrelevante.

Ademais, tenho pensado que, seria necessário toda a liturgia uma vez que Jesus Cristo nos disse que onde estivessem dois ou três reunidos, Ele estaria no meio deles?

E que as orações deveriam ser em um quarto secreto, pois o Pai que está em secreto nos recompensaria (Mateus 6.6)? 

Conhecemos que o sonho de Davi era construir o templo em homenagem a Deus para que pudesse honrá-lo, mas Salomão fez, e Jesus Cristo, cumpriu os desígnios estabelecidos nele, seria necessário tê-los? 

E quanto seus ministros de um modo geral, não parecem que seria uma forma de exercer comando mesmo que seja esse benéfico para pode-los continuar sustentando-os infinitamente? 

Olha tenho pensando muito nisso! Não se trata de não querer tê-los, mas há um exagero tremendo no nosso meio que nos causa uma repulsa nojenta.

Por fim, tudo ao que me parece, seria uma forma de está sempre no controle e tendo como principal causa, o reino terreno, em vez do reino eterno e daquele principal que é Jesus Cristo.

UM ALERTA: APEGUE-SE A ELE, E DEIXOU-O ENTRAR NA SUA VIDA! FIQUE FORA DISSO TUDO E ESTARÁS CUMPRINDO SEUS MANDADOS. [G].




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